
A moradora de rua Amanda Silvestre da Silva, de 26 anos, implorou por ajuda na noite desta terça-feira logo após ter sido incendiada, por volta das 19h40, por um homem ainda não identificado. O crime aconteceu na Rua Batista das Neves, no Rio Comprido, região central do Rio. Ela teve 72% do corpo queimado e seu companheiro, Adailton Farias dos Santos, de aproximadamente 40 anos, sofreu ferimentos em 19%.
— Ela gritava: “Não vou aguentar. Me dá água, pelo amor de Deus”. As pessoas não podiam fazer nada. Chamamos os Bombeiros e o Samu e esperamos ajoelhados. Foi uma comoção. As pessoas rezando em volta dela — conta o advogado Paulo Leon, 53 anos, que mora no prédio ao lado de onde o casal costumava dormir.
A Secretaria municipal de Saúde informou que Amanda e Adaílton estão sendo tratados no Centro de Tratamento de Queimados do Hospital Municipal Souza Aguiar. Ambos têm estado de saúde estável, mas inspiram cuidados.
Paulo mostra como Adaílton tentou apagar as chamas de Amanda Foto: Fabiano Rocha / Agência O GloboPaulo conta que foi para a rua quando ouviu uma gritaria. Quando chegou ao local, viu Adailton correndo atrás de um homem que seria o autor da agressão. A vítima, quando percebeu que Amanda estava pegando fogo, voltou para ajudá-la. Ele também estava em chamas, nas coxas.
— A cena era de filme de terror. Ele jogava água nela de uma poça, mas não apagava. Aí ela se jogou na poça e conseguiu — conta a testemunha.
Adaílton e Amanda moravam há cerca de um ano na rua do Rio Comprido. Segundo amigos, ele é da Paraíba e é conhecido como Pará. Já Amanda é de Belford Roxo, mas vive nas ruas desde os 8 anos.
— Eles nunca incomodaram ninguém, não vejo eles usando drogas, nem bêbados. Não sei porque fizeram essa covardia com eles — diz Paulo.
Marcas ficaram na parede Foto: Fabiano Rocha / Agência O GloboMoradores de rua da região que conheciam o casal contaram que os dois trabalham como garimpeiros recolhendo lixo e vendendo para fábricas de reciclagem.
— Sempre somos agredidos com chutes e xingamentos. Mas nunca pensei que isso poderia acontecer — contou um morador de rua, que não quis se identificar com medo.